✹ Trajetória

Vinte anos entre a disciplina
e a pressão do ao vivo

Metade da minha vida profissional foi dentro de estrutura corporativa, com processo, governança e auditoria. A outra metade foi com público na porta e nenhuma margem para erro. As duas ensinam coisas diferentes, e é da soma que veio tudo que eu construo hoje.

Antes

Parque Fernanda, extremo sul de São Paulo

Cresci em um lugar onde nada chega sozinho. Aprendi cedo que quem espera pela oportunidade perfeita fica esperando, e que quase tudo se resolve com uma troca honesta.

A minha primeira negociação comercial não teve contrato nem proposta. Eu consertava os computadores da escola e, em troca, a mensalidade parava de ser um problema. Era um acordo simples, e funcionava porque os dois lados ganhavam algo de que precisavam de verdade. É a mesma lógica que eu uso hoje para desenhar oferta: se um dos lados precisa ser convencido, o desenho está errado.

2006

Servidores corporativos, e a régua de quem não pode cair

Comecei em tecnologia corporativa, cuidando da infraestrutura de mensageria da BlackBerry no Brasil. Naquele momento, o aparelho era o cordão umbilical de diretoria e jurídico de empresa grande. Se o servidor caía, não era um incômodo, era uma companhia inteira sem conseguir trabalhar.

Foi ali que eu peguei a régua que carrego até hoje: sistema sério tem plano de queda, tem registro do que aconteceu e não depende de ninguém estar acordado. Quem aprende a operar assim não consegue mais achar bonito processo que só funciona quando dá tudo certo.

Mídia

Da infraestrutura para a mídia, sem trocar de cabeça

Migrei para mídia digital pela porta técnica. Comecei na boo-box, aprendendo o jogo por dentro, e depois liderei operação e AdNetwork na RedMas. Enquanto boa parte do mercado discutia criatividade, eu estava olhando para entrega, inventário e log. Continuava sendo infraestrutura, só que o produto agora era atenção.

Depois vieram os anos de construir produto na fronteira entre CRM e mídia, para marcas como P&G, Burger King, Electrolux, Ambev, Bradesco, BuzzFeed e Banco Inter. Operações grandes, muitas frentes ao mesmo tempo e orçamento que não perdoa.

A lição que ficou não é sobre canal, é sobre governança: operação grande quebra por falta de combinado escrito, não por falta de talento. Quando a estrutura depende de uma pessoa lembrar de alguma coisa, ela já está quebrada, só ainda não deu o defeito.

Ao vivo

Vinte anos de porta abrindo no horário

Em paralelo à carreira corporativa, sempre toquei operação própria no entretenimento. Casa cheia, fila na calçada, equipe grande e um horário que não se negocia. Não existe adiar a abertura porque o sistema está instável.

É a escola mais dura que eu tive, e a mais útil. Ao vivo, processo frágil não sobrevive ao primeiro sábado. Ou o combinado está escrito e a pessoa da ponta consegue decidir sozinha, ou vira gargalo em cima de uma única pessoa. Aprendi a construir os que aguentam porque os que não aguentavam quebraram na minha frente.

Hoje

Produtos que fazem a empresa produzir mais, melhor e mais rápido

Hoje eu transformo esses vinte anos em produto. Não em palestra e não em apresentação: em sistema que entra na operação e fica funcionando depois que eu saio da sala.

A minha frente atual é produtividade com inteligência artificial dentro de empresa, que é onde a distância entre a promessa e o resultado é maior. A ferramenta quase nunca é o problema. O problema é que ela recebe contexto genérico, ninguém escreveu o que a empresa sabe, e o ganho nunca é medido de verdade. É sobre isso que eu escrevo, e é isso que os materiais gratuitos resolvem.

Régua

O que eu aprendi e não abro mão

  1. Opinião só entra depois do número. Antes disso é preferência, e preferência não paga conta.
  2. Prazo não é meta, é regra. Vinte anos de porta abrindo no horário não deixam espaço para outra interpretação.
  3. O combinado precisa estar escrito. O que só existe na cabeça de alguém não é processo, é sorte.
  4. Ideia sem execução é custo. A parte difícil nunca foi ter a ideia, foi colocar de pé e manter funcionando.
  5. Ganho que não é medido não sobrevive ao primeiro corte de orçamento. E quase ninguém mede direito.

Se algo aqui parece o seu problema, me chama.

Eu respondo pessoalmente. Não tem funil, não tem robô e não tem etapa antes de falar comigo.

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